AVÓ MATHILDE
Mathilde Alcântara Otero, nasceu dia 24 de setembro de 1936, em São João da Bocaína, município no interior do Estado de São Paulo. Filha de imigrantes espanhóis, se mudou ainda criança para a cidade de São Paulo, morando no bairro da Lapa onde reside até hoje. Mulher forte, sempre fez de um pouco tudo ao longo da vida, trabalhou como babá, ajudou meu bisavó em um bar que tiveram durante um tempo, trabalhou na fábrica de meias Titã e também pegava o Bonde para ir até o centro de São Paulo para trabalhar no Instituto Universal Brasileiro.
Após se casar com meu avó Ricardo Otero, trabalhava em casa cuidando dos 3 filhos, José Roberto Otero, minha mãe Solange Otero e Silvana Otero. Meu bisavó Francisco, pai da minha avó, era dono de um carrinho de pipoca que foi herdado pela minha avó. Toda noite ela e meu avó Ricardo, que trabalhava como tipógrafo durante o dia, iam para a frente do Colégio Eco localizado na Rua Roma, para vender além da pipoca, quitutes da minha avó como bolos e lanches na intenção de complementar a renda da família. Minha avó fez isso durante muitos anos, inclusive após a partida do meu avô.
E ela que tanto já trabalhou na vida, cuidava dos netos e da nossa bisavó que morava com ela com o avançado da idade. Eu adorava ir trabalhar com ela na sexta a noite, e no sábado acordar cedinho para ir com ela e com o meu avô para Suarão, um bairro de Itanhaém, litoral sul do estado de São Paulo, onde minha bisavó morava e onde além dos finais de semana, passava minhas férias de verão e inverno. Quando meu avô partiu em 1997, continuei cúmplice dela, os laços se estreitaram ainda mais.
Admiro sua força e alegria,a forma como sempre lutou pelo que quer e o senso de justiça que carrega dentro de si. Foi na sua cozinha que desbravei a culinária pela primeira vez, bolos e doces eram a pedida quando alguém queria comer um doce no café da tarde, com seu auxilio e de seus cadernos de receitas fui me encantando por esse universo. A sua casa sempre será minha segunda casa, passado tanto tempo da vida por lá, para onde eu ia depois da escola, onde brinquei por horas naquele quintal, a mesa da cozinha com farinha e também meus cadernos de estudo, o sofá para um cochilo entre o estágio e a faculdade. A avó linda e companheira de todas as horas, um dos meus portos seguros.
![]() | ![]() | ![]() | ![]() | ![]() | ![]() | ![]() |
|---|---|---|---|---|---|---|
![]() | ![]() | ![]() |









