FOLAR

A lenda do folar, narra que em uma aldeia portuguesa, uma jovem devota de Santa Catarina, tinha dois pretendentes para casar, um fidalgo e um lavrador. No domingo de ramos, ambos no caminho da casa da jovem se encontram e começam a brigar pela mão da jovem, ela escolhe o lavrador. Com o passar dos dias houve o boato que o fidalgo iria no dia do casamento matar o lavrador.
A jovem aflita, na véspera do domingo de páscoa leva um ramo de flores ao altar da santa para pedir para que nenhuma desgraça acontecesse. Ao voltar para casa, encontrou um "bolo" rodeado das mesmas flores que levou ao altar da santa. Correu para casa do lavrador, mas encontrou-o no caminho e este contou que também tinha recebido um bolo semelhante. Pensando ter sido ideia do fidalgo, dirigiram-se a sua casa para lhe agradecer, mas este também tinha recebido o mesmo tipo de bolo. A jovem ficou convencida de que tudo tinha sido obra de Santa Catarina.
Inicialmente chamado de folore, o bolo veio, com o tempo, a ficar conhecido como folar e tornou-se uma tradição que celebra a amizade e a reconciliação. Durante as festividades cristãs da Páscoa, os afilhados costumam levar, no Domingo de Ramos, um ramo de violetas à madrinha de batismo e esta, no Domingo de Páscoa, oferece-lhe em retribuição um folar.
Todos os anos a minha avó, mantendo a tradição que veio de Portugal, durante a semana santa, fazia a receita para entregar para os membros da família. Para meu pai e meu tio um grande, para cada neto um pequeno. A grande tortura da tradição é que minha avó costumava entregar o folar na sexta-feira santa. Meus avôs eram católicos e não deixavam comermos no dia da entrega do pão, pois na sext-feira santa não é permitido a ingestão de carne e o folar é recheado de linguiça calabresa, paio e bacon. O que fez com que se criasse outra tradição na familia, todos comem o folar no sábado no café da manhã. Após o falecimento da minha avó, minha mãe segue a tradição da produção dos folares na semana santa.
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